Ombro

capsulite adesiva ombro congelado

O que é?

Também conhecida por “ombro congelado”, a Capsulite Adesiva é uma doença que afeta a cápsula articular do ombro (tecido que reveste toda a articulação), gerando uma inflamação no local. Ela leva esse nome (ombro congelado), pois quando ocorre, há dor no ombro e os movimentos ficam muito limitados, como se ele estivesse congelado. O curioso, é que a doença pode ser sanada sem o auxílio de tratamentos. O problema é que essa recuperação gira em torno de dois a três anos.

O ombro é uma das articulações esferoidais do corpo, ou seja: funciona como um encaixe esférico, parecido com uma taça com a parte de cima virada para baixo. O úmero, osso superior do braço, se encaixa na glenóide, que é uma cavidade articular que pertence a escápula. Dessa forma, a ligação entre os ossos é feita e a articulação protege a ligação e reduz o atrito entre os ossos.

Quais as causas?

É um equívoco tratar a doença como se houvesse apenas uma causa aparente, até porque ela pode surgir sem uma causa pré-definida. Sabe-se que alguns fatores podem contribuir, é o caso de pessoas que tenham doenças hormonais, como Diabetes Mellitus e hipotireoidismo ou hipertireoidismo.

Vale lembrar que outras doenças também podem estar por trás da limitação dos movimentos do ombro sem mesmo estarem associadas à capsulite adesiva. É o caso da artrose no ombro, osteonecrose, lesão do manguito rotador, rigidez após cirurgias e até mesmo tendinite calcária.

Quem faz parte do grupo de risco?

A doença é responsável por afetar cerca de 3% a 5% da população mundial, e no caso dos sexos, as mulheres correm mais risco de ter a doença do que os homens por conta de alterações hormonais.

A idade dos pacientes diagnosticados com a capsulite adesiva costuma girar em torno dos 30 e 65 anos, sendo que idosos possuem uma chance um pouco maior de desenvolvê-la.

Quais são os sintomas?

Existem três fazem sintomáticas. Na primeira, que pode durar até noves meses e é o ápice da inflamação, o paciente sente dor no ombro sendo ela mais forte durante o período noturno, pois o corpo fica mais relaxado. Ela dificulta o sono e reduz progressivamente a mobilidade. De modo que há dificuldade de encostar o braço afetado nas costas.

Na segunda fase, a dor diminui, mas a mobilidade reduz muito, e com ela a qualidade de vida. Há a sensação de estar com o “ombro mais curto”, pois torna-se muito difícil erguer o braço para pegar objetos no alto, colocar o cinto de segurança e até mesmo de vestir o sutiã. A duração desse período pode ser de 12 a 18 meses.

Já na última fase, de “descongelamento”, a elasticidade dos movimentos se recupera de modo progressivo, mas pode haver perda de 15 a 20% na mobilidade. Até a progressiva melhora, ações como dirigir, trocar de roupa ou mesmo dormir são afetadas.

Como é feito o diagnóstico?

Muitas vezes, o diagnóstico é feito tardiamente, ou seja, a doença já se encontra no ápice da dor quando o indivíduo busca ajuda médica. É indispensável que ortopedista especialista em ombro faça o exame físico para verificar a presença de dor e a redução dos movimentos de rotação no braço.

O paciente preparar alguns dados para tornar a consulta mais rápida, como preparar uma lista com os sintomas e a região deles, um pequeno histórico de saúde familiar e individual e por fim um breve relato da rotina diária dele.

Há ainda a probabilidade de que o médico peça exames de imagem para confirmar o diagnóstico, como radiografia dos ossos e ultrassonografia das estruturas. Apesar de eles não diagnosticarem capsulite adesiva, são úteis para descartar doenças como bursite ou síndrome do impacto no ombro.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Há dois tipos de tratamentos disponíveis, o conservador, também chamado de convencional, e o cirúrgico. Em grande parte dos casos, a primeira opção é usada com grande sucesso para tratar da capsulite adesiva, e os resultados são ótimos, não havendo perda nos movimentos.

Quando decidido pelo tratamento conservador, o médico fará a recomendação a partir das fases da doença (dor, congelamento e retomada dos movimentos), portanto, na primeira fase o tratamento é composto de medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios, acupuntura (pois seus benefícios terapêuticos são muito positivos) e infiltrações de corticosteroides, que deve ser feito somente mediante recomendação médica, pois mesmo que ele diminua a dor, pode também prejudicar outras estruturas.

Na segunda opção de tratamento, onde há o “ombro congelado”, o mais indicado é a reabilitação fisioterápica, com sessões durante todo o período de redução nos movimentos. Assim, os músculos podem se fortalecer e a rigidez diminuir.

O tratamento cirúrgico é utilizado em uma pequena quantidade de diagnósticos da capsulite. Ele é feito por meio de artroscopia, um procedimento simples e pouco invasivo, onde o cirurgião faz três pequenas incisões na pele. Em uma delas, é inserido uma micro câmera que transmite imagens ao vivo para uma tela por onde a equipe médica pode acompanhar todo o processo. Já no restante, são colocados os instrumentos cirúrgicos.

A maioria das operações são feitas durante a fase de rigidez, que pode ser grave e não apresentar melhora com o tratamento conservador. É importante se preparar no mínimo três meses antes da cirurgia com várias sessões de alongamento, pois torna a reabilitação melhor. A operação mais usada é a de “Liberação Artroscópica”, onde a cápsula espessada é liberada, diminuindo pressão e dor drasticamente. A cirurgia é feita em sala hospitalar esterilizada e com anestesia geral.

Informações sobre recuperação e tratamento

Depois da cirurgia, o paciente deve ficar no hospital mais um ou dois dias para observação, e os pontos podem ser retirados em um período de até três semanas. A reabilitação após a cirurgia, é composta de alongamentos e sessões de fisioterapia no intuito de não atrofiar os músculos. Lembrando que todas as fases, desde o diagnóstico até a recuperação, devem ser feitas com auxílio e supervisão médica.

Responsável Técnico

Dr. Soo B. Chung - CRM 44853
Ortopedia - Ombro / Mão
Cargo na clínica